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Sobre Marketing Digital

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Uma imagem costumava valer mais do que 1.000 palavras até o nosso presidente dizer que uma imagem não fala por si… O fato é que tem coisas que você aprende na vida e na prática e que facilitam muito a sua vida. Melhor ainda se esse conhecimento puder ser obtido sem esforço. Foi o que resolvi fazer: colocar uma parte do meu aprendizado em posts. Claro que esse conhecimento não fala por si: é o processo todo que vai dizer isso. E nem tenho a pretensão de ensinar nada. Apenas acredito na base da teoria econômica criada por John Nash de que quando cada um faz o que é melhor pra si e para o grupo o resultado é maximizado.

  • “Posto que todo regime comunista é totalitarista, se a Internet tem o compromisso de ser democrática seu sistema econômico só pode ser o capitalismo”. Usei essa frase em 2001 quando um webdesigner falou que os conteúdos na Internet seriam sempre gratuitos. A afirmação recente do Google sobre pagar para exibir notícias parece concordar com a minha afirmação.
  • Se você não consegue que seus clientes paguem pelo serviço oferecido pelo seu site, ou o serviço não é exclusivo ou não vale nada mesmo.
  • “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez” diz o ditado popular. “Mas estourou o prazo e o orçamento” disse eu sobre o Gerente de TI que realizou a façanha.
  • Se um site é bom e barato, não é rápido. Se é bom e rápido não é barato. E se é barato e rápido não pode ser bom. Há exceções, mas são raras bem raras.
  • A publicação de um anúncio numa Campanha é o final de um longo processo de trabalho. A publicação de um site, ao contrário, é apenas o começo.
  • Redes sociais não são invenção da Internet. A tecnologia só acelerou o processo de aproximação e contato entre os participantes. E criou oportunidades de negócio em massa.
  • Ao contrário do mundo físico, o mundo virtual cobra pouco para manter um negócio extremamente especializado ou focado num nicho muito pequeno do mercado (a tal da cauda longa). Mas não se iluda: um negócio ruim não se sustenta on ou off-line; é só uma questão de tempo até isso acontecer.
  • O primeiro estouro da bolha da Internet mostrou que só capital não sustenta um negócio. O próximo estouro vai mostrar que nem todas as boas ideias merecem o céu.
  • Muitas empresas resistem a investir em projetos on-line acreditando que seus targets não usam Internet. Minha experiência mostra que as únicas pessoas que não usam Internet são as que trabalham nessas empresas.
  • A receita de sucesso da maior parte das empresas atuais tem alguns ingredientes em comum. O mais interessante deles chama-se de “colaboração não planejada”. E o que isso significa? Que essas empresas conseguem que seus departamentos em conjunto representem mais do que a soma das partes. Parece simples. E é.
  • Dificilmente você vai encontrar um negócio de Internet que tenha falhado por culpa da tecnologia (considerando-se apenas o aspecto técnico). Da mesma forma, você também não vai encontrar um negócio cujo sucesso deva-se exclusivamente à tecnologia. A diferença entre o sucesso e o fracasso é como a tecnologia foi utilizada e quanto se gastou (tempo e dinheiro) para isso acontecer.
  • Quando um criativo tem dificuldade em aceitar a sugestão do cliente eu lembro a ele que até Leonardo da Vinci trabalhava sob encomenda. Aliás, essa é a única razão que justifica a escolha de Gioconda para seu quadro mais famoso, a Monalisa.
  • O fato de ser possível alterar alguma coisa que já está publicada on-line não significa que isso seja recomendável. O ideal é sempre fazer certo da primeira vez e focar em evoluções, não em correções.
  • Como dizia um antigo gerente de Internet da Natura: “Internet é um mundo sempre inacabado e imperfeito. Deve-se entender isso e não esperar ter tudo pronto e finalizado para agir”.
  • Apesar dos avanços da tecnologia, ainda não existe um programa que gere layouts e textos automaticamente, apertando-se um botão. Quer dizer, pelo menos não com qualidade. Ou seja, continua sendo necessário investir tempo para se fazer isso, mesmo que o cronograma diga o contrário.
  • Existe uma frase de propaganda que continua válida: “a pressa passa a porcaria fica”. Em Internet dá pra acrescentar: “fica sendo alterada sem parar”.
  • Em Internet, menos é mais: menos tempo de desenvolvimento, mais problemas; menos planejamento, mais conserto; menos conhecimento, mais dificuldade.
  • Usabilidade é um termo que ficou conhecido graças à Internet, mas serve para qualquer tipo de produto. Cada vez mais uma boa usabilidade será condição obrigatória para o sucesso de um produto.
  • Porém, acredita-se que usabilidade seja um conceito inflexível e genérico, mais ou menos como o termo consumidor. Aliás, ambas as coisas estão intimamente ligadas: o tipo de usabilidade depende de quem é o consumidor. Quem pensa de forma genérica em ambos acaba desagradando a todos.
  • Não acredite quando alguém afirma que uma determinada solução de tecnologia implementada possui documentação. São pouquíssimas as soluções que possuem documentação e, quando isso acontece, a documentação está defasada ou não contempla as principais customizações realizadas.
  • Quando eu vejo alguma ferramenta ou produto de tecnologia sendo vendido como customizável, logo me lembro da história da sopa de pedras de Malasartes: quanto maior a customização de um produto, mais dispendiosa fica. E menos sentido faz.
  • É impossível andar no mesmo ritmo das mudanças, mas sempre é possível ficar cada vez mais defasado. Só é preciso não fazer nada. As coisas eram bem mais fáceis quando se perdia o bonde da história. Trem bala não tem balaustre.
  • A Internet é totalmente imune à força do pensamento positivo: por maior que seja sua fé, acreditar que as coisas vão dar certo não funciona se o projeto foi mal-executado. O sistema de milagres precisa ser atualizado para rodar on-line.

Como disse antes, não existe a pretensão de se esgotar o assunto. E nem de se chegar a nenhuma conclusão: a melhor coisa de lidar com um ambiente em evolução é que tudo pode mudar; pra melhor ou pra pior. O objetivo dessas afirmações não é pra evitar que se erre. Mas, se é pra errar, que seja cometendo erros novos. Se possível, inéditos.

E você, leitor, que aprendizados pode partilhar? Queremos conhecê-los.

Fábulas Corporativas

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Todo mundo conhece a fábula da Formiga e da Cigarra, escrita por Esopo e recontada por La Fontaine. Como toda fábula, seu propósito é ensinar regras de conduta às pessoas por meio de histórias simples, tendo animais, deuses, objetos ou mesmo outros homens como personagens. Nessas histórias, erros são usados como forma de aprendizado. Por conta de sua dinâmica, as fábulas sobrevivem ao longo dos séculos porque suas lições continuam a fazer sentido.

Se, como diz o ditado, o tempo é o senhor da razão, por que então as fábulas continuam a fazer sentido? Não seria lógico imaginar que as lições já estariam aprendidas? Não teriam os séculos se incumbido de sedimentar esse aprendizado?

Num mundo com tantas mudanças e depois de tantos séculos de evolução, é difícil crer que uma história escrita 500 anos antes de Cristo poderia ainda fazer sentido. Pior: que a lição que ela ensina pudesse ainda não ter sido aprendida. Mas, fazer o que? Errar faz parte da essência do ser humano.

E por que então estaria eu preocupado com isso? Qual a novidade? Explico…

Desde que a Internet começou a ser usada comercialmente, quase todos os setores econômicos foram afetados, para o bem ou para o mal, com as transformações que ela causou nas comunicações e nos relacionamentos entre pessoas e empresas. Um desses setores é a propaganda.

Ainda que, passados 13 anos, TV, rádio, jornais e revistas não tenham sido relegados aos museus, é fato que o consumo dessas mídias mudou drasticamente, tanto na forma como no conteúdo. A convergência dos meios, embora ainda seja bastante conceitual, há muito tempo acontece na prática. Parte dessas mudanças aconteceria inevitavelmente com a entrada no mercado da Geração Y, já citada no artigo anterior. Mas o grande catalisador das mudanças foi a web. Juntos, esses fatores estão criando uma dinâmica de comunicação e relacionamento entre marcas e consumidores impensável há alguns anos.

Voltando à propaganda (e, logicamente, ao marketing), toda essa transformação criou novas relações, novos papéis, novos players e, acima de tudo, um novo modelo de negócios. Um modelo que não está cristalizado ainda, mas que já definiu alguns rumos.

Bom, aí você vai me perguntar: o que isso tem a ver com a fábula citada no início? Tudo, absolutamente tudo.

No modelo da propaganda vigente sobretudo nos anos 70 e 80, que orientou toda uma nova geração de publicitários, a grande estrela do show era a criação. Os grandes criativos que dominaram a mídia especializada da época, responsáveis pelos sucessos de público e crítica da propaganda, eram verdadeiros artistas, em todos os sentidos. Boêmios, rebeldes, geniais e temperamentais, ajudaram a cultivar a fama que o publicitário ainda carrega. De que participa de grandes festas e noitadas, onde jorram dinheiro e grandes transações.

Quem insistiu em apostar nesse modelo e não percebeu os sinais da mudança dos tempos foi surpreendido com uma verdadeira estiagem nas verbas e na disposição dos clientes em apostar a fundo perdido. Pegos de calças curtas, foram bater à porta das formiguinhas, profissionais de Internet que trabalhavam incansavelmente na construção de negócios complexos e difíceis de entender, e que pareciam preparados para a nova estação.

Exageros à parte, é fato que quase tudo em nossa atividade passou a dar muito mais trabalho, a exigir muito mais esforço e dedicação. Se antes uma ideia valia por mil braços, hoje vivemos sob a máxima de Thomas Edison, que definiu genialidade como 1% de inspiração e 99% de transpiração. Ideias continuam a fazer a diferença, mas apenas se puderem ser orçadas, viabilizadas, implementadas, mensuradas e sustentadas.

A própria Internet já superou a fase de acreditar que um bom conceito de negócios, ainda que não incipiente, possa valer muitas centenas de milhares de dólares. Hoje, isso mudou: qualquer grande venda sempre tem como personagem central um ótimo conceito de negócios que sobreviveu a crises e mudanças, que cresceu e se fortaleceu com ideias inovadoras mas muito trabalho e horas de dedicação de pessoas desconhecidas que varam noites e dias para descobrir e consertar bugs.

Por isso acredito que neste novo período que vivemos, a Cigarra não vai deixar de cantar. Mas vai ter que tocar, dançar, sapatear, e ajudar a coletar mantimentos. Mas vai trabalhar em conjunto com formigas que podem varar noites e noites mas sabem se divertir e que, acima de tudo, gostam de colocar as coisas para funcionar. Essa simbiose é que vai produzir resultados perenes, crescentes, dignos de fama e sucesso.

Aí, talvez, a fábula finalmente possa figurar apenas em bonitos livros de histórias.

Corra, Lola, corra!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Preciso correr. Agora. Não, mais tarde. Amanhã. Não, amanhã tenho reunião cedo. Então vai ser agora. Vamos juntos? Vamos participar da prova do próximo domingo? Qual seu “pace”? Eu vou na boa, o que interessa é chegar. Melhorei meu tempo. Comprei um tênis novo com gel. Fiz uma playlist só pra essa corrida…

Frases como essas passaram a fazer parte da vida de pessoas que, há alguns anos, sequer pensariam em assistir a uma corrida de rua. Aliás, que nem sabiam sobre corridas de rua e hoje tem tênis de última geração e até GPS de pulso. Quem mal gostava de caminhar hoje corre maratonas.

Todo mundo saiu correndo pra correr e surgiu uma comunidade que só faz crescer. Todo mundo passou a buscar a corrida como uma forma de fuga metafórica dos problemas e males do cotidiano por meio de grupos, times, equipes e bandos que poderiam facilmente ser confundidos com algum tipo de auto-ajuda. Obviamente, a comunidade de corredores anônimos está faz tempo na Internet, marcando encontros, participando de eventos, compartilhando resultados e aperfeiçoando o treinamento.

Na esteira desse target, correndo junto, vieram as marcas de produtos esportivos, patrocinando eventos para estimular brand-experience com muita adrenalina. Muitos outros players dos mais diversos segmentos seguiram-se, todos buscando corpo-a-corpo com quem participa de provas.

Um desses players é a Coop, antiga Cooperhodia, que criou um programa chamado Mexa-se e tem estimulado pessoas de todas as idades, cooperados ou não, a buscar um estilo de vida mais saudável.

Este ano, a novidade ganhou as vias digitais. A partir do planejamento da presença web da Coop para 2009 e 2010, a Lumina1 desenvolveu um conjunto de ações de relacionamento que utiliza a web como principal canal. A base é um hotsite em formato de blog, que apresenta o Mexa-se e dialoga com os usuários. Completando o hotsite, redes sociais divulgam novidades e dicas de alimentação e atividade esportiva. Todas as ações on-line são coordenadas com intervenções nas lojas e nos materiais off-line, gerando sinergia.

O melhor dessa ação é que não é one-shot, como muitas das iniciativas voltadas para o target costumam ser. Embora o evento aconteça 1 vez por ano, a preparação e o interesse são diários. O projeto aproveita isso e sustenta o relacionamento e a comunicação com o público o ano todo.

O hotsite, mesmo antes do concurso, já vinha demonstrando o acerto da estratégia: mais de 50% dos visitantes acabam se inscrevendo na prova. Agora, a expectativa é aumentar a base de cadastros, já que a inscrição deve se esgotar rapidamente.

Para turbinar os cadastros foi criado um concurso cultural com o tema ”minha vida é corrida”. Quem quiser participar deverá, em apenas 140 caracteres, mostrar como, no meio de tantas atividades e compromissos, encontra na corrida (ou caminhada) um momento de descanso e realização. Os 3 melhores depoimentos ganham prêmios que falam por si: um Renault Logan 1.0 0km para o melhor e tênis de alta performance para os outros dois.

Gostou?
Então corra, você tem até o dia 25/10/2009 pra participar!

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Longa vida para a cauda longa

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Todo mundo quer ser famoso. Nos últimos anos, todo mundo, inclusive, tenta ser famoso: é crescente o número de sites de redes sociais formadas por cada vez mais usuários, alguns dos quais participando de várias delas. Hoje, participamos de mais grupos sociais simultaneamente do que em toda a nossa vida. E todo dia recebemos o convite para ingressar em uma nova.

Ao mesmo tempo que as pessoas buscam expressar seus desejos e qualidades participando e criando comunidades, com tanta opção, fica difícil conseguir visibilidade. Como vencer uma corrida com tantos competidores?

Esse problema não é uma exclusividade dos candidatos à fama. Empresas tem enfrentado as mesmas dificuldades para conquistar espaço e relevância para seus produtos e serviços. O volume exponencial de ofertas dispersa a atenção e o interesse dos clientes.

Com o aumento dos meios, dispositivos e ferramentas, em poucos anos todos seremos produtores de conteúdo, artistas, veículos de comunicação, mídia, tudo ao mesmo tempo. Vamos todos ser a maior celebridade de nossos quarteirões. E as marcas terão que disputar espaço não apenas com os concorrentes diretos e indiretos, mas também com pessoas comuns.

O problema é que, quando todos recebem destaque e atenção, ninguém fica com um grande quinhão. A fama, além de valer menos (lei da oferta e procura), é cada vez mais efêmera. Vamos viver com os 15 minutos de fama, como profetizou Andy Warhol há 40 anos. Isso já acontece hoje: o sucesso de hoje surgiu ontem e o de anteontem já morreu, sequer lembramos o que foi. O que fazer então? Como conquistar relevância então?

A resposta não é tão simples…

No meio do século passado, um mestre espiritual greco-armênio de teorias bastante herméticas, chamado Gurdjieff, pregava que o conhecimento é uma matéria e, portanto, limitado no tempo e espaço. Segundo ele, ainda que dividíssemos todo o conhecimento existente entre todas as pessoas, de forma que cada uma ficasse com uma porção igual, o que restaria para cada uma seria insuficiente. Ou seja, segundo a teoria dele, o valor do conhecimento está na sua escassez: poucos com muito, muitos com pouco.

Se olharmos as coisas segundo a ótica dele, vamos deduzir que o sucesso de todos representa o sucesso de ninguém. De que vale ser mais um famoso no meio de uma multidão de famosos, todos efêmeros? Isso significa então que, uma hora, as coisas vão mudar e que as pessoas vão desistir de ser famosas? Será que elas vão se convencer de que não dá pra todo mundo ser famoso e que apenas algumas terão capacidade para isso?

Sim e não… Como disse antes, a resposta não é simples.

Gurdjieff não conhecia a teoria da cauda longa, termo estatístico criado para descrever a distribuição quase infinita da curva de Pareto. Familiar para quem faz campanhas de links patrocinados, a cauda longa mostra que, com o aumento do acesso aos meios de produção e distribuição, a oferta será cada vez maior, não se limitando apenas ao que faz sucesso. Ao contrário, sucesso é minoria. Isso vale para tudo: do portfólio de produtos de uma empresa a canais de comunicação, passando por usuários de uma rede social, existe uma procura elevada para um conjunto pequeno de produtos e procura muito reduzida para um conjunto elevado de produtos. Ou seja, no limite, o conjunto dos produtos que existem na zona da cauda longa tem um valor comercial equivalente aos dos produtos mais populares.

Pensando na cauda longa, tanto faz estar entre os mais famosos ou não: o que interessa é fazer parte da curva. Seja seu público de milhões ou de alguns, o importante é ter um público. Ou seja, a Internet não irá democratizar de verdade o conhecimento, permitindo acesso a todos indistintamente. O mundo é feito de diferenças e essas diferenças continuarão a existir on ou off-line.

Qual a importância de se entender isso? Talvez seu produto/serviço não esteja errado ou seja um fracasso. Possivelmente ele está direcionado ao target errado, gerando falsas expectativas. Ou então, seu portfólio tenha o problema inverso, com apenas um grande hit. Entender isso permite reposicionar ou reformular sua estratégia.

E como saber isso? Quem atua em Internet descobre antes o quanto o modelo de negócios está mudando. Os benefícios da cauda longa não se restringem a apenas alguns segmentos ou mercados e estão transformando, há anos, negócios de todo o tipo. Você pode não saber disso, mas seu concorrente, sabe. Ou talvez nem ele, mas alguém de fora, que irá mudar seu segmento. Jeff Bezos não era dono de livraria e nem tinha um e-commerce.

Ninguém sabe onde esse negócio irá parar, nem qual o tamanho da cauda. Seja qual for, será longa. Então, longa vida para ela.

Clonagem virtual

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Embora clonagem seja um assunto meio esquecido na mídia ultimamente, na Internet ele tem se tornado bastante presente.
Clones virtuais de sites conhecidos surgem todos os dias, seja com o simples objetivo de pegar carona ou de confundir. Isso, por si só, nem é tão interessante assim.

Como é praxe em termos de Internet, da quantidade surge a qualidade. Pois bem, dentre milhões de clones virtuais, um chamou a atenção pelas reflexões que gera.

Recentemente, a Presidência da República lançou o blog do Planalto com uma peculiaridade: não oferece possibilidade de se postar comentários. A alegação para essa ausência seria a equipe disponível (6 pessoas!), insuficiente para mediar os comentários.

Posto isso, surgiram vários posts de jornalistas e blogueiros reclamando da “heresia” cometida, sobretudo pelo motivo alegado, reiteradamente infundado. Personalidades como Marcelo Tas, por exemplo, demonstraram que, sozinhos, dão conta de um grande volume diário.

Como na web reclamar não é suficiente, ato contínuo, surgiu um clone do blog do Planalto, com todo o conteúdo original mais a possibilidade de se postar comentários. Melhor ainda: com apenas um mediador na equipe, tem sido capaz de dar conta de 350 posts diários em média.

Sem entrar no mérito da eficiência da máquina administrativa federal, porque isso seria chover no molhado, o que chama a atenção no episódio e interessa a profissionais de Internet é o caminho que o assunto tomou.

A clonagem do blog para a inclusão de comentários mostra que, em Internet, não é possível tiranizar o usuário. Por mais que se criem barreiras, sempre haverá uma brecha que pode emprestar voz a usuários descontentes.

E isso é importante porque a postura do Planalto não é muito diferente da exibida por muitas empresas em seus sites e canais virtuais de atendimento. Todas elas acreditam que o usuário, assim como é praxe nos meios tradicionais, será vencido pelo cansaço.

Essas empresas e entidades, ao invés de encontrar alternativas, criam barreiras; no lugar de ouvir, tentam gritar mais alto; querem dialogar mas não aceitam ser contrariadas. A questão é que o mundo off-line de interação assíncrona entre empresas e pessoas acabou. Usuários não são mais vozes solitárias no deserto.

Com dispositivos cada vez mais conectados e capazes, qualquer um pode virar uma mídia; qualquer dispositivo é um canal de comunicação. Qualquer reclamação pode ganhar o mundo.

Antes dos serviços de atendimento, as insatisfações dos clientes eram apenas a ponta do iceberg e só era possível enxergá-los a olho nu e quando se estava perto o suficiente para um desastre. Com os SACs, as empresas ganharam binóculos para enxergar os riscos de longe. E só. O tamanho do perigo continuou abaixo da linha d’água.

Com a Internet e as redes sociais, é como se houvesse um sonar: hoje é possível enxergar o que há pela frente, com antecedência e precisão suficientes para se escolher o melhor caminho. Sabendo-se interpretar os dados, é possível até descobrir tesouros.

O naufrágio do Titanic mostrou que imponência e tamanho não são suficientes e que um obstáculo pode ser muito maior e mais letal do que se pensa. Afinal, navegar é preciso; relacionamento com o cliente não é preciso.

8 anos

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O que você quer ganhar de aniversário? Quando eu tinha 8 anos, eu queria um Autorama.

E ganhei… Garoto de sorte!

Dizem que com o passar do tempo, para o homem, os brinquedos só ficam mais caros. Foi o meu caso.

O que você quer de aniversário de 8 anos da Lumina1, me perguntaram há alguns meses? Uma nova sede, respondi.

Ganhei também. Sorte outra vez? Não. Desta vez não ganhei de presente de ninguém: teve muito trabalho envolvido; meu, dos meus sócios, da equipe.

E por que uma nova sede? Porque toda empresa, pra continuar competitiva, precisa estar em constante transformação.

2009 tem sido um ano de conquistas para a Lumina1. Novos clientes, uma equipe cada vez mais preparada (e maior!), projetos desafiadores. Não dava para acomodar tudo na antiga sede. Mudar é preciso, viver não é preciso.

Mas a questão vai muito além do espaço. Há várias outras mudanças implícitas: você joga fora o que não serve, repensa seus objetivos, estabelece novos horizontes. Quando você muda, está pensando no futuro: para acomodar o presente você já tem um lugar. Onde quer que sua empresa esteja amanhã? O que e quem você quer levar para lá? Que tamanho e configuração você deseja? O que vai jogar fora porque não serve mais?

Não estou dizendo que mudar de endereço é a solução para transformar as empresas. Seria bom se fosse simples assim. Além disso, mudança sempre é um transtorno: caixas e mais caixas de pertences, problemas de funcionamento de equipamentos, dúvidas. Mudar dá trabalho!

A questão é que, muitas vezes, essa é a forma mais fácil de mostrar às pessoas o que mudou. É a forma mais tangível de explicar a evolução. De estabelecer o que você planeja para o futuro. “Show, don’t tell”.

Só que pra mudar é preciso coragem. Coragem para ser o mesmo e ser melhor. Para ser maior e melhor. Para ser diferente e melhor. Para ser cada vez melhor.

Pensando assim, tenho orgulho de ver que a Lumina1 nunca deixou de mudar. De ideias, de projetos, de sedes e de sedes (meio forçada essa). Da Flórida para a Quintana e, de lá, para a Paulista. E quem pensaria em abandonar um andar em plena Avenida Paulista? Só quem encontrasse um outro com o dobro do tamanho na Padre João Manuel, entre Lorena e Oscar Freire.

Pois é, mudamos (acho que deu pra perceber). O uniforme e o estádio podem ser diferentes. A gana de defender sua marca, não.