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Fidelize o Cliente Fiel

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Muita gente que leu o post da semana passada resolveu se manifestar pessoalmente sobre o conceito de cliente fiel. Ao contrário do que pensava, as manifestações não foram no sentido de discordar ou de provar que eu estava errado, mas para entender melhor o que fazer com essa informação.

Ou seja, por mais que pareça um absurdo, é fato que o cliente fiel é apenas um sonho de uma tarde de verão. Porém, o que é a vida sem sonhos? Quem acredita que já compreendeu o conceito e já produziu as mudanças necessárias quer ir além, quer aplicar o conceito de monitorar os interesses, aproveitar a fidelidade potencial e manter o relacionamento com os clientes que melhor respondem a esses estímulos.

Para isso, temos que ir mais a fundo na questão do perfil do cliente: é possível falar em potencial de fidelização de forma genérica? Podemos desconsiderar elementos como idade, sexo, poder aquisitivo etc? Cliente é tudo parecido?

Disse Nelson Rodrigues que “toda unanimidade é burra”. Se assumirmos isso como verdade, a questão fica simples: é possível generalizar, mas cuidado ao fazer isso. Toda vez que extrapolamos a avaliação da amostra, na média estamos certos, mas concretamente não existe o cliente médio. Existem vários clientes parecidos, mas o chamado cliente médio não se parece com ninguém.

Essa questão fica ainda mais espinhosa quando se trata da Geração Y. Para quem não conhece, esse é o termo utilizado para descrever quem nasceu entre 1980 e 1993 (embora esse período possa variar um pouco entre estudiosos do assunto). Esses consumidores, que hoje possuem entre 14 e 27 anos, simbolizam as transformações ocorridas nos últimos anos: são multimídia, multi-conectados, hiper-ativos, não carregam vínculos com o passado, tem sempre um fone no ouvido (e um iPod no bolso) e estão abandonando gradualmente as mídias tradicionais pelas novas. Embora não sejam ainda a verdadeira geração digital (a Geração Z), possuem grande familiaridade com todo tipo de eletrônico.

Dentre todas as generalizações que podemos fazer, uma assusta pelas conseqüências: em termos de relacionamento com as marcas, são nômades, migrando conforme a estação, as tendências e influências do grupo. Criticam hoje as marcas que defenderam ontem com a mesma intensidade que experimentam outras novas. Possuem relacionamento emocional com as marcas mas as trocam junto com as roupas.

Se um consumidor típico já é difícil de fidelizar, o que fazer com um típico geração Y? Como criar vínculos emocionais duradouros se eles vão, com certeza, mudar? Como ficar ao lado deles na mudança?

Primeiro, é preciso saber de que lado sua marca está. Se você é um novo player ou não é o líder, a falta de vínculos duradouros é uma vantagem, não um problema, já que pode facilmente convencê-los a experimentar. Se você é líder, precisa ser rápido e aproveitar o relacionamento enquanto o possui, compreendendo como mudar junto com seu target; ou como fisgar seus sucessores, já que o público está sempre se renovando. Depende também de quão restrito é seu target, se você pode envelhecer com ele ou não.

Sem entrar em detalhes, já que essas estratégias são sob-medida e não dá para criar uma receita de bolo, o que vale é o conceito do título: fidelize seus clientes fiéis. Pense que ele sempre pode mudar, que a concorrência vai tentar isso e que ele será tentado sucessivamente a fazê-lo. Reconquiste-o sempre, ainda que ele pareça já ter sido conquistado. Entenda quem ele é, o que quer e para onde vai. E vá junto. Ao contrário do que se acreditou durante um bom tempo, não tente se antecipar, mostrando que o conhece muito bem: ele próprio não se conhece o suficiente. Ao contrário, seja capaz de dialogar e ouvir. Nas entrelinhas e dúvidas ele pode mostrar mais sobre seus desejos do que muitos bytes de dados armazenados.

Deixe a adivinhação para as cartomantes. Marketing não é uma ciência exata, mas também não funciona com bola de cristal. As empresas inovadoras não se baseiam em previsão do futuro: apenas são mais competentes para perceber as mudanças e mais ágeis em seguí-las. No final das contas, é como o ilusionismo: parece mágica, mas é ciência.

Onde está o cliente fiel?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Quem trabalha com Campanhas de Incentivo e Relacionamento está sempre em busca dos chamados “clientes fiéis”. De acordo com os especialistas, esses clientes são capazes de milagres: consomem mais, aceitam pagar mais caro, permanecem por anos na carteira de clientes e, inclusive, fazem propaganda boca-a-boca dos produtos que consomem.

Se considerarmos que conquistar um novo cliente custa até 7 vezes mais do que mantê-lo, um cliente fiel custaria ainda menos. Ou seja, vale ouro. Melhor do que isso: seria a galinha dos ovos de ouros das empresas.

Por conta disso, vale qualquer esforço para encontrá-lo. Mas isso não é fácil: é necessário utilizar várias ferramentas de database marketing e business intelligence para estratificar a base de clientes e garimpar o que interessa (datamining).

Com a utilização da Internet e toda sua capacidade de monitoramento real-time, buscar e encontrar os clientes fiéis ficou mais fácil e rápido. Em tese, você poderia saber onde ele está neste exato momento.

O problema é que todo esse esforço é em vão, afinal, cliente fiel não existe. Como assim? E a história de campanhas de fidelização e datamining?

Pois eu vou repetir: cliente fiel não existe. Cliente fiel é como cabeça de bacalhau: você pressupõe que existe mas nunca viu. Ou como o Papai Noel: você até acreditava que existia, certeza confirmada pelos resultados (os presentes) mas cresceu e descobriu que era tudo uma farsa. Aliás, antes que esqueça: galinha dos ovos de ouro também não existe.

Sem entrar em discussões filosóficas do tipo “o que é cliente”, “como definir um cliente”, “o que significa fidelidade”, vou explicar essa afirmação de forma prática: talvez até tenha existido uma época de ouro quando clientes se agarravam a marcas e produtos até a morte, lutando com unhas e dentes. Provavelmente nessa época os produtos adorados não tinham concorrentes, ou não tinham concorrentes à altura, ou então o mercado era fechado, ou até mesmo tudo isso junto. A verdade é que o mundo mudou. E muito.

Hoje, em praticamente todas as categorias de produtos e serviços o cliente tem alternativas: de igual qualidade, melhores, piores, mais disponíveis, mais baratas, mais caras, mais legais, mais “cool”. O fato é que as alternativas existem e o custo da mudança é baixo, cada vez mais baixo para mais categorias. Virou prática crescente experimentar, mudar, testar, provar, ver no que dá.

Nenhuma empresa mais é dona de seus clientes, se é que foram algum dia, e não interessa corretores de seguros e vendedores insistirem em discordar. Por melhor que seja um produto ou serviço, se ele não tiver disponibilidade, conveniência, preço adequado e presença, corre o risco de perder o cliente.

Se, hoje, a fidelidade está em desuso no casamento, que oferece barreiras muito mais fortes para a “experimentação” da concorrência, por que as pessoas seriam fiéis a produtos, marcas ou serviços? É verdade que, quando estamos apaixonados ficamos menos propensos à troca, seja no casamento ou na compra. Mas quantos de nós vivem em lua-de-mel permanente com seus cônjuges ou com suas preferência de consumo?

Por isso as empresas tentam de forma tão desesperada criar vínculo emocional com seus clientes. Essa ligação não racional representa uma barreira muito mais forte do que a qualidade intrínseca do produto e o residual da marca. É mais forte do que anos de histórico e relacionamento.

A questão então é: vale a pena buscar a fidelização? Qual o propósito de investir em campanhas de fidelização se não existe a fidelidade? Que resultados esperar?

Simples: evoluindo.

Mas, para isso, primeiro precisamos rever o termo “cliente fiel”. Ele foi criado antes das profundas transformações econômicas e sociais verificadas nos últimos 30 anos. Se o termo (ou o cliente) envelheceu, precisa ser substituído. Alguns teóricos falam há tempos em “embaixadores da marca”, por exemplo. Outros, em “clientes engajados” ou “multiplicadores”. Mudar a terminologia é a primeira parte da mudança. Evoluir a compreensão, também.

A segunda é atualizar os objetivos e parâmetros das campanhas. O cliente pode não SER fiel mas pode ESTAR fiel (em lua-de-mel). E, embora não se possa garantir sua fidelidade, pode-se conquistar sua preferência. Além disso, sabendo-se identificar quem são aqueles com maior propensão para a fidelização, pode-se usar o canal de comunicação estabelecido para descobrir como aprofundar o relacionamento, como criar um vínculo emocional duradouro. Lembram a história da cauda longa? Entender em que parte da curva os clientes estão ajuda nesse processo.

Por fim e mais importante, entender que os cenários são dinâmicos. As necessidades mudam todos os dias, o cliente muda, a concorrência evolui. Coletar e processar informações do maior número de fontes possível, real-time, é essencial para entender o que está acontecendo. E só entender não adianta: é necessário rapidez para agir. Se a situação está em transformação, a demora em agir pode inutilizá-la.

Na prática é mais simples do que parece. Talvez mais trabalhoso também. Até porque esse aprendizado precisa ser contínuo. Mas quanto mais se busca, mais se conhece e mais fácil é agir. E descobre-se que, se não existem ovos de ouro, existem ovos de vários outros tipos. Mas, para encontrar os resultados, não adianta usar picareta: garimpeiro moderno usa Google.

Corra, Lola, corra!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Preciso correr. Agora. Não, mais tarde. Amanhã. Não, amanhã tenho reunião cedo. Então vai ser agora. Vamos juntos? Vamos participar da prova do próximo domingo? Qual seu “pace”? Eu vou na boa, o que interessa é chegar. Melhorei meu tempo. Comprei um tênis novo com gel. Fiz uma playlist só pra essa corrida…

Frases como essas passaram a fazer parte da vida de pessoas que, há alguns anos, sequer pensariam em assistir a uma corrida de rua. Aliás, que nem sabiam sobre corridas de rua e hoje tem tênis de última geração e até GPS de pulso. Quem mal gostava de caminhar hoje corre maratonas.

Todo mundo saiu correndo pra correr e surgiu uma comunidade que só faz crescer. Todo mundo passou a buscar a corrida como uma forma de fuga metafórica dos problemas e males do cotidiano por meio de grupos, times, equipes e bandos que poderiam facilmente ser confundidos com algum tipo de auto-ajuda. Obviamente, a comunidade de corredores anônimos está faz tempo na Internet, marcando encontros, participando de eventos, compartilhando resultados e aperfeiçoando o treinamento.

Na esteira desse target, correndo junto, vieram as marcas de produtos esportivos, patrocinando eventos para estimular brand-experience com muita adrenalina. Muitos outros players dos mais diversos segmentos seguiram-se, todos buscando corpo-a-corpo com quem participa de provas.

Um desses players é a Coop, antiga Cooperhodia, que criou um programa chamado Mexa-se e tem estimulado pessoas de todas as idades, cooperados ou não, a buscar um estilo de vida mais saudável.

Este ano, a novidade ganhou as vias digitais. A partir do planejamento da presença web da Coop para 2009 e 2010, a Lumina1 desenvolveu um conjunto de ações de relacionamento que utiliza a web como principal canal. A base é um hotsite em formato de blog, que apresenta o Mexa-se e dialoga com os usuários. Completando o hotsite, redes sociais divulgam novidades e dicas de alimentação e atividade esportiva. Todas as ações on-line são coordenadas com intervenções nas lojas e nos materiais off-line, gerando sinergia.

O melhor dessa ação é que não é one-shot, como muitas das iniciativas voltadas para o target costumam ser. Embora o evento aconteça 1 vez por ano, a preparação e o interesse são diários. O projeto aproveita isso e sustenta o relacionamento e a comunicação com o público o ano todo.

O hotsite, mesmo antes do concurso, já vinha demonstrando o acerto da estratégia: mais de 50% dos visitantes acabam se inscrevendo na prova. Agora, a expectativa é aumentar a base de cadastros, já que a inscrição deve se esgotar rapidamente.

Para turbinar os cadastros foi criado um concurso cultural com o tema ”minha vida é corrida”. Quem quiser participar deverá, em apenas 140 caracteres, mostrar como, no meio de tantas atividades e compromissos, encontra na corrida (ou caminhada) um momento de descanso e realização. Os 3 melhores depoimentos ganham prêmios que falam por si: um Renault Logan 1.0 0km para o melhor e tênis de alta performance para os outros dois.

Gostou?
Então corra, você tem até o dia 25/10/2009 pra participar!

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Longa vida para a cauda longa

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Todo mundo quer ser famoso. Nos últimos anos, todo mundo, inclusive, tenta ser famoso: é crescente o número de sites de redes sociais formadas por cada vez mais usuários, alguns dos quais participando de várias delas. Hoje, participamos de mais grupos sociais simultaneamente do que em toda a nossa vida. E todo dia recebemos o convite para ingressar em uma nova.

Ao mesmo tempo que as pessoas buscam expressar seus desejos e qualidades participando e criando comunidades, com tanta opção, fica difícil conseguir visibilidade. Como vencer uma corrida com tantos competidores?

Esse problema não é uma exclusividade dos candidatos à fama. Empresas tem enfrentado as mesmas dificuldades para conquistar espaço e relevância para seus produtos e serviços. O volume exponencial de ofertas dispersa a atenção e o interesse dos clientes.

Com o aumento dos meios, dispositivos e ferramentas, em poucos anos todos seremos produtores de conteúdo, artistas, veículos de comunicação, mídia, tudo ao mesmo tempo. Vamos todos ser a maior celebridade de nossos quarteirões. E as marcas terão que disputar espaço não apenas com os concorrentes diretos e indiretos, mas também com pessoas comuns.

O problema é que, quando todos recebem destaque e atenção, ninguém fica com um grande quinhão. A fama, além de valer menos (lei da oferta e procura), é cada vez mais efêmera. Vamos viver com os 15 minutos de fama, como profetizou Andy Warhol há 40 anos. Isso já acontece hoje: o sucesso de hoje surgiu ontem e o de anteontem já morreu, sequer lembramos o que foi. O que fazer então? Como conquistar relevância então?

A resposta não é tão simples…

No meio do século passado, um mestre espiritual greco-armênio de teorias bastante herméticas, chamado Gurdjieff, pregava que o conhecimento é uma matéria e, portanto, limitado no tempo e espaço. Segundo ele, ainda que dividíssemos todo o conhecimento existente entre todas as pessoas, de forma que cada uma ficasse com uma porção igual, o que restaria para cada uma seria insuficiente. Ou seja, segundo a teoria dele, o valor do conhecimento está na sua escassez: poucos com muito, muitos com pouco.

Se olharmos as coisas segundo a ótica dele, vamos deduzir que o sucesso de todos representa o sucesso de ninguém. De que vale ser mais um famoso no meio de uma multidão de famosos, todos efêmeros? Isso significa então que, uma hora, as coisas vão mudar e que as pessoas vão desistir de ser famosas? Será que elas vão se convencer de que não dá pra todo mundo ser famoso e que apenas algumas terão capacidade para isso?

Sim e não… Como disse antes, a resposta não é simples.

Gurdjieff não conhecia a teoria da cauda longa, termo estatístico criado para descrever a distribuição quase infinita da curva de Pareto. Familiar para quem faz campanhas de links patrocinados, a cauda longa mostra que, com o aumento do acesso aos meios de produção e distribuição, a oferta será cada vez maior, não se limitando apenas ao que faz sucesso. Ao contrário, sucesso é minoria. Isso vale para tudo: do portfólio de produtos de uma empresa a canais de comunicação, passando por usuários de uma rede social, existe uma procura elevada para um conjunto pequeno de produtos e procura muito reduzida para um conjunto elevado de produtos. Ou seja, no limite, o conjunto dos produtos que existem na zona da cauda longa tem um valor comercial equivalente aos dos produtos mais populares.

Pensando na cauda longa, tanto faz estar entre os mais famosos ou não: o que interessa é fazer parte da curva. Seja seu público de milhões ou de alguns, o importante é ter um público. Ou seja, a Internet não irá democratizar de verdade o conhecimento, permitindo acesso a todos indistintamente. O mundo é feito de diferenças e essas diferenças continuarão a existir on ou off-line.

Qual a importância de se entender isso? Talvez seu produto/serviço não esteja errado ou seja um fracasso. Possivelmente ele está direcionado ao target errado, gerando falsas expectativas. Ou então, seu portfólio tenha o problema inverso, com apenas um grande hit. Entender isso permite reposicionar ou reformular sua estratégia.

E como saber isso? Quem atua em Internet descobre antes o quanto o modelo de negócios está mudando. Os benefícios da cauda longa não se restringem a apenas alguns segmentos ou mercados e estão transformando, há anos, negócios de todo o tipo. Você pode não saber disso, mas seu concorrente, sabe. Ou talvez nem ele, mas alguém de fora, que irá mudar seu segmento. Jeff Bezos não era dono de livraria e nem tinha um e-commerce.

Ninguém sabe onde esse negócio irá parar, nem qual o tamanho da cauda. Seja qual for, será longa. Então, longa vida para ela.

Os 40 anos da Internet

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Não, o título não está errado e nem estamos falando do futuro. Especialistas do mundo todo dizem que, se computarmos os primeiros testes da Arpanet, realizados em 2 de setembro de 1969, hoje a Internet está completando 40 anos.

Surpreendente? Pois é: a tecnologia anda tão evoluída que ninguém dá mais do que 20 anos para essa senhora que conecta hoje mais de 1,5 bilhão de pessoas ao redor do mundo.

Parece apenas um truque de números, mas os 40 anos significam muito mais. Mostram que não estamos falando de uma coisa tão nova assim como muita gente ainda pensa. E não tão revolucionária, afinal já passou da idade para tal.

Então, por que as pessoas ainda se espantam com as novidades que surgem aos milhares todos os dias trazidas pela web e continuam a questionar se podem viver sem ela? Por uma questão de perspectiva. Disse Caetano  em Sampa que “narciso acha feio o que não é espelho” e “à mente apavora o que ainda não é mesmo velho, nada do que não era antes quando não somos mutantes”.

Se pensarmos que a Internet tem apenas 15 anos, podemos considerá-la uma adolescente prepotente, mimada pela mídia e metida a revolucionária, alguém que encanta pela beleza e juventude mas não sabe quase nada da vida. É quase como dizer: ok, seu sucesso impressiona mas pode ser passageiro.

E se considerarmos os 40 anos? Aí a perspectiva muda: uma mulher madura, segura de si, que ainda está no auge da vida, com muita experiência acumulada e disposição para desafios, turbinada pela tecnologia que a faz parecer tão jovem. Não é difícil acreditar que seu sucesso é sólido.

Essa questão de idade parece apenas um truque barato, mas é a realidade. A Internet já mudou muita coisa e ainda tem muito para revolucionar. Faz isso todo dia, várias vezes; não está esperando uma chance.

Nós vemos isso aqui na Lumina1. Termos como usabilidade, arquitetura da informação, redes sociais, open source, SEO eram novidades há alguns anos. Parecíamos geeks apresentando filme de ficção científica. Hoje, esses mesmos termos aparecem com naturalidade na boca de boa parte dos clientes e prospects.

As pessoas mudaram mas, acima de tudo, foi o tempo que passou: quando comecei a usar a Internet, eu tinha 25 anos. Era, portanto, da nova geração, acostumada com a tecnologia, ao contrário de quem detinha o poder decisório, na casa dos 40. Hoje eu tenho 40 anos. Não sou mais da nova geração.

A Internet também não é mais da nova geração. Aliás, transcende a qualquer geração. Inovar é compreender que muitos dos conceitos que ela trouxe já estavam presentes há muito tempo. E que, com a tecnologia, o tempo passa mais rápido. Novidade é agora, o que podemos realizar todos os dias para explorar as infinitas oportunidades que surgem aos milhares trazidas de qualquer lugar do planeta.

Alguém com 40 anos de história não pode ser ignorado. Portanto, viva os 40 anos da Internet!

SACs e as redes sociais

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Muitas empresas nos perguntam se as redes sociais são apenas uma moda ou vieram para ficar. Algumas, por conta da dúvida, preferem esperar. A resposta é simples: ainda que no futuro a dinâmica e a relevância mudem, as redes sociais são caminhos sem volta. Elas já existiam antes da Internet e sempre vão existir; a tecnologia apenas dá outra dimensão ao assunto.

Esperar pode ser um erro difícil de reverter.

Já existe uma revolução silenciosa acontecendo debaixo do nariz das empresas. Essa revolução está sendo realizada por um grupo de clientes chamado de “maioria silenciosa”. O termo nada tem a ver com o movimento militar em Portugal ou o suposto apoio encontrado por Nixon para a Guerra do Vietnã (aliás, como vamos ver, ele entendeu tudo errado). No mundo dos negócios, maioria silenciosa surgiu quando se começou a falar em foco no cliente nos anos 80. De forma consistente, em estudos diferentes realizados em diversas empresas, verificou-se que mais de 60% dos clientes nunca reclamam ou aparecem como descontentes nas pesquisas. Sequer se manifestam via atendimento ao cliente. Pelo seu silêncio, esse grupo é frequentemente interpretado como fazendo parte dos satisfeitos, do tipo “quem cala, consente”.

O problema da maioria silenciosa é que, ao invés de reclamar, por medo ou descrença, espera uma oportunidade para mudar. Quando menos se espera, esses clientes vão embora. Pegando o caso acima, da Guerra do Vietnã, o que Nixon entendeu como apoio era, na verdade, silêncio de repúdio. O final da história já sabemos.

Para as empresas, entender errado esses sinais tem custado caro e o crescimento dos serviços de atendimento ao cliente não foi capaz de reverter a situação. Nos canais de atendimento restritos, burocráticos e cheios de obstáculos, os descontentes reclamantes sempre foram minoria, pontos fora da curva das estatísticas, não justificando investimentos das empresas em melhorias além da criação de novos sistemas e ouvidorias.

É aí que entram as redes sociais: elas deram visibilidade para um movimento que surgiu com os sites pessoais e que, antes da Internet, tinham pouco ou nenhum alcance. Com as redes sociais, descontentes de todos os tipos passaram a criar suas comunidades de repúdio e reclamação, angariando simpatizantes crescentes. Um bom exemplo recente é do músico americano que teve sua guitarra destruída por uma cia aérea e criou um vídeo que obteve mais de 5 milhões de exibições em poucas semanas (ver aqui).

Longe dos holofotes, em sites como Orkut e Facebook, nascem e crescem movimentos que, cada vez mais, fazem frente aos investimentos em marca e comunicação das empresas. Ignorá-los apenas porque estão fora dos reports corporativos é um erro.

O que fazer então? Simples: monitorar as redes sociais, um remédio indolor e com poucas contra indicações para uma dor de cabeça que pode ser gigantesca. Resolve tudo? Não, nada é capaz disso. Mas aproxima as empresas do que está acontecendo fora das cercanias das centrais de atendimento de última geração. E mostra que, no meio de muita futilidade e vaidade, existe um mar de oportunidades.

Monitorando Redes Sociais

domingo, 16 de agosto de 2009

De casa nova, devidamente instalados, vamos abordar um novo tema: redes sociais.

Com o crescimento do “social networking”, cada vez mais gente acessa sites com esse propósito: quase 80% dos internautas brasileiros já participam de pelo menos uma rede social. E os números só fazem crescer.

Um dos assuntos mais comuns em comunidades e grupos de discussão são empresas e seus produtos. Não é difícil entender o por quê: hoje, somos consumidores 24 horas por dia. É natural que redes sociais acabem funcionando tanto como balcão de vendas quanto muro de lamentações.

Você sabe o que os seus consumidores andam falando da sua marca ou produto? Sabe quantas comunidades fazem menção a eles? Sabe o que fazer com essa informação, se ignora, responde ou pega carona?

Muitas empresas ainda não sabem. E como redes sociais são terrenos ainda novos e pantanosos, a decisão nem é tão simples assim. O assunto é tão complexo que até no Brasil já começam a surgir processos: semana passada, a justiça de Minas condenou o Google a pagar indenização a um usuário por página difamatória no Orkut (leia a matéria aqui).

Esse caso levanta uma questão crucial para as empresas: o anonimato, permitido pela maioria dos sites. É muito fácil ser um franco-atirador. No processo citado, a vítima era uma pessoa, mas poderia muito bem ser uma empresa. Nesse contexto, a defesa do Google só joga mais água na fervura: ele alega não saber quem seria o culpado e não ter como impedir esse tipo de ação.

Aí é que reside o ponto nevrálgico da questão: se usuários podem bater e se esconder, empresas não. Até porque, cada vez mais, o desafio é construir marcas a partir de relações transparentes. Como então equilibrar essa relação nas redes sociais sem levantar mais poeira?

Algumas empresas já sabem. Elas aprenderam a usar a melhor arma contra qualquer tipo de ameaça: o conhecimento. É necessário sim esquadrinhar, mapear e acompanhar tudo o que de relevante se fala da sua marca. E não apenas isso: uma coisa é constatar; outra é agir. Mas agir sabendo como funcionam as coisas nesse terreno.

A Lumina1 sabe bem disso porque não é de hoje que realiza monitoramento de mercado. Esse tipo de expertise está no DNA da agência e é realizado desde quando as redes sociais ainda eram apenas boca-a-boca eletrônico.

Na nossa opinião, monitorar o mercado deveria se tornar padrão. Ainda que isso acirre a concorrência para nós, o mercado todo ganha. E se o mercado ganha, sobretudo por desenvolver empresas mais preparadas, a gente ganha também.

8 anos

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O que você quer ganhar de aniversário? Quando eu tinha 8 anos, eu queria um Autorama.

E ganhei… Garoto de sorte!

Dizem que com o passar do tempo, para o homem, os brinquedos só ficam mais caros. Foi o meu caso.

O que você quer de aniversário de 8 anos da Lumina1, me perguntaram há alguns meses? Uma nova sede, respondi.

Ganhei também. Sorte outra vez? Não. Desta vez não ganhei de presente de ninguém: teve muito trabalho envolvido; meu, dos meus sócios, da equipe.

E por que uma nova sede? Porque toda empresa, pra continuar competitiva, precisa estar em constante transformação.

2009 tem sido um ano de conquistas para a Lumina1. Novos clientes, uma equipe cada vez mais preparada (e maior!), projetos desafiadores. Não dava para acomodar tudo na antiga sede. Mudar é preciso, viver não é preciso.

Mas a questão vai muito além do espaço. Há várias outras mudanças implícitas: você joga fora o que não serve, repensa seus objetivos, estabelece novos horizontes. Quando você muda, está pensando no futuro: para acomodar o presente você já tem um lugar. Onde quer que sua empresa esteja amanhã? O que e quem você quer levar para lá? Que tamanho e configuração você deseja? O que vai jogar fora porque não serve mais?

Não estou dizendo que mudar de endereço é a solução para transformar as empresas. Seria bom se fosse simples assim. Além disso, mudança sempre é um transtorno: caixas e mais caixas de pertences, problemas de funcionamento de equipamentos, dúvidas. Mudar dá trabalho!

A questão é que, muitas vezes, essa é a forma mais fácil de mostrar às pessoas o que mudou. É a forma mais tangível de explicar a evolução. De estabelecer o que você planeja para o futuro. “Show, don’t tell”.

Só que pra mudar é preciso coragem. Coragem para ser o mesmo e ser melhor. Para ser maior e melhor. Para ser diferente e melhor. Para ser cada vez melhor.

Pensando assim, tenho orgulho de ver que a Lumina1 nunca deixou de mudar. De ideias, de projetos, de sedes e de sedes (meio forçada essa). Da Flórida para a Quintana e, de lá, para a Paulista. E quem pensaria em abandonar um andar em plena Avenida Paulista? Só quem encontrasse um outro com o dobro do tamanho na Padre João Manuel, entre Lorena e Oscar Freire.

Pois é, mudamos (acho que deu pra perceber). O uniforme e o estádio podem ser diferentes. A gana de defender sua marca, não.