Manifesto à Inovação

O texto a seguir foi escrito quando a Lumina1 criou a área de Inovação, há 2 anos. Linha por linha continua atual. Como é sempre bom lembrar coisas importantes, resolvi publicá-lo no site.

É a Inovação, e não a Inteligência, a grande mola propulsora da humanidade, o traço inconfundível  que nos distingüe dos animais. É ela que tem-nos movido desde a época das cavernas para o futuro, para as descobertas da ciência, para a exploração do espaço, para a mecância quântica e suas derivações.

Por que não a Inteligência? Porque vários animais são inteligentes. É notório o caso de gorilas e chimpanzés que inventam ferramentas e estratégias para resolver problemas. O golfinho reconhece sua imagem do espelho e é capaz de perceber alguém com deficiência. Num mundo onde inteligência é cada vez mais especializada (é cada vez mais aceito o concetio de inteligência interpessoal, física, matemática etc.), ser inteligente não quer dizer muito. A história é repleta de pessoas geniais que nunca conseguiram ser bem sucedidas em nada.

A inovação, ao contrário, sempre promoveu mudanças. Todas as pessoas consideradas inovadoras ajudaram a mudar o mundo. Todos os grandes avanços, na ciência ou nos negócios, foram precedidos por grandes inovações. Todos os casos de sucesso contém uma grande dose de inovação.

Inovar não é necessariamente andar só para frente: grandes inovações são feitas de novas visões sobre questões já conhecidas. Aliás, inovar depende da coragem de retroceder, de corrigir, de rever o que foi feito. É possível inovar sem criar nada. Mas é impossível inovar sem ter algo novo: um olhar, um ponto de vista, um conceito, um método etc.

Inovar não é necessariamente revolucionário: muitas inovações são simples, corriqueiras. É possível inovar em pequenas coisas. Mas toda inovação, a longo prazo, criar uma revolução. De hábitos, costumes, práticas.

Toda inovação é positiva. Se algo novo mostra-se ruim ou destrutivo, não é inovador: é apenas uma novidade. Porque inovar nos move para frente, mesmo quando olhamos para trás. Inovar depende de melhorar. Inovar depende de resolver. Inovar implica em evoluir.

Porém, uma pessoa inovadora nem sempre é boa: grandes inovações foram criadas ou descobertas por figuras que causaram mais mal do que bem. Mas suas inovações, a despeito de seu caráter, obrigatoriamente são boas.

Inovar não surge da organização. Organização cria conforto, conforto gera comodismo, comodismo gera conformismo, não necessariamente nessa ordem. Por que inovar se funciona? Por que mudar se está bom?

Inovar é mudar. Toda inovação provoca transformação e transformação gera mudanças. De médio e longo prazos.

Para inovar é preciso coragem: para quebrar paradigmas, para rever conceitos, para vencer o comodismo. Segundo Joseph Schumpeter, profeta da Inovação, inovar depende de destruir: chamou ele de destruição criativa. A inovação surge com mais facilidade do caos do que da ordem. Inovar só é realmente possível se houver transgressão.

Esse é o espírito da Lumina1: inovação. Em todos os sentidos. Em todas as direções. De maneiras simples e complexas. Revolucionando ou apenas solucionando. Renovando ou reinventando.

Mas não aceite simplesmente a idéia. Conteste. Saiba mais. Conheça, por exemplo, o que já se sabe e se reconhece sobre Inovação. E tira suas próprias conclusões. Se forem inovadoras, você entendeu o espírito…

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2 comentários para “Manifesto à Inovação”

  1. Badosu disse:

    Não acredito que haja diferenciação entre inteligência e inovação.

    A tese, por exemplo, de que os golfinhos e primatas são inteligente mas não inovadores tem de ser melhor embasada através de um esclarecimento de seus termos.

    Acredito, sim, que a inteligência é um prerequisito para a inovação. A capacidade de compreender padrões, análise de sinais externos e a obtenção de resultados através desta caracteriza a arte de inovar em minha modesta opinião.

    No caso de nós, seres humanos, concordo que fomos privilegiados pela centelha da inovação. A inovação realimenta o estímulo à inteligência. Novas descobertas, pontos de vista distintos e interesse em áreas desconehcidas inevitavelmente levam a novos questionamentos e ambições.

    O resultado disso somos nós, seres com sede de conhecimento, possuidores de capacidade de abstração cada vez maior e prontos para melhorar o que for possível para otimizar nosso conforto.

  2. Silvio,

    Primeiro obrigado pelo comentário.
    Como todo publicitário, tenho o hábito de manifestar as opiniões sem necessariamente mostrar credenciais científicas.
    Neste caso específico, meu objetivo é mais semântico do que técnico: a inteligência tem recebido constantes atualizações no seu escopo, tornando-se cada vez genérica quanto a seus atributos. A inovação, embora não necessariamente escape dessa massificação, é talvez um pouco menos esnobe e mais focada no lado prático do que no teórico. Se fossem pessoas, a inteligência seria uma senhora arrogante que procura viver dos seus títulos e méritos, enquanto a inovação uma mulher ativa e prática, que parece ter uma energia infinita e está sempre em atividade. Ou seja, a inovação consegue produzir mais porque não está preocupada com o que fez mais com o que vai fazer.
    De qualquer forma, algumas correntes científicas acreditam que não apenas a inteligência possa ser aplicada aos animais, como não existe apenas um tipo de inteligência. Neste último conceito, das Inteligências Múltiplas, criado pelo psicólogo Howard Gardner nos anos 80, animais diferentes poderiam apresentar sinais de inteligência semelhantes a humanos. Duas referências sobre o assunto: no Mundo Estranho e na Super. Mais interessante até seja um estudo recente divulgado no livro Super Freakonomics sobre macacos capuchinos, conduzido na Universidade Yale. A capacidade demonstrada por eles em aprender a usar dinheiro e as consequências disso são hilárias e preocupantes. Na minha opinião, o estudo mostra que ele são inteligentes o suficiente para assumir um comportamento semelhante ao nosso. Mas não capazes de ir além.
    Mas fica a polêmica…

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